sábado, 6 de dezembro de 2008

A Resistência Anarquista

____________________________



Anarquismo, greve e violência compõem imagens que caminham juntas no nível da mentalidade coletiva que caracteriza a História do Brasil Contemporâneo. O anarquista, carregando uma "bomba de dinamite" prestes a explodir ou, em sua versão sindicalista, "incitando greves de contestação a toda e qualquer autoridade constituída", configura um quadro de violência iminente e ameaçadora.

A controvérsia remete à própria etimologia da palavra anarquia, a que se confere um significado de desordem e de caos. Porém, o anarquismo - enquanto movimento histórico que tuta pela abolição de toda forma de coerção -, apesar de buscar reverter essa conotação negativa, mantinha-se atrelado ao estigma da destruição e da violência.

A duplicidade existente no significado da palavra era considerada por Eliseu Reclus, um dos principais idealizadores da concepção libertária, como prejudicial à sua difusão, mas, ao mesmo tempo, lhe conferia uma aura mágica:

"A palavra 'Anarquia' pode horrorizar os que só a consideram no sentido derivado, os que só vêem nela um sinônimo de desordem, de lutas violentas sem fim, mas temos nós culpa de não a considerarem no seu sentido primitivo, naquele que honestamente lhe dão todos os dicionários: ausência de governos ?"

E Reclus continua:

"Mas não nos desagrada que esta palavra, reivindicada por nós, tenha o condão de suspender por um momento aqueles que se interessam pelo problema social. No reino das fábulas, todos os jardins maravilhosos, todos os palácios encantados, são guardados por dragões ferozes".

***

O texto acima foi transcrito do livro A Resistência Anarquista: Uma Questão de Identidade (1927 - 1937), escrito por Raquel de Azevedo.

No trecho transcrito ela se utilizou do pensamento de um dos mais conhecidos anarquistas entre os Séculos XIX e XX, Eliseu Reclus. Quem foi Reclus ?

Utilizo-me hoje de uma pequena biografia de Reclus escrita por Hilda Braga e Eduardo Nunes (Colaboradores do Instituto Sócio-Ambiental de Valéria - ISVA), em trabalho elaborado por eles sobre aquele grande geógrafo e anarquista:

Élisée Reclus nasceu em Sainte-Fayla-Grande, França, em 15 de março de 1830 e faleceu no ano de 1905 quando lecionava e dirigia o Instituto de Geografia de Bruxelas. Seu pai era pastor protestante, o que marcou o seu modo de vida disciplinado. Desde jovem defendeu a liberdade e as idéias republicanas ao lado dos irmãos, Elias e Pablo que o acompanhariam em suas ações políticas. Sua formação superior foi completada na Faculdade Protestante de Montauban e na Universidade de Berlim em 1848, onde foi aluno e amigo de Carl Ritter, tendo traduzido para o francês uma de suas obras A Configuração dos Continentes (1857). Foi ativista nas rebeliões de 1848 e lutou na Comuna de Paris, em 1871 o que o levou a ser preso e extraditado da França. Viveu durante muitos anos na Suíça e para escrever boa parte de sua obra realizou inúmeras viagens pelos continentes americanos, africano e europeu.

Cedo abandonou a França e iniciou seu percurso pelas ilhas Britânicas, Estados Unidos e América do Sul, em especial, Nova Granada (Colômbia) onde viveu e escreveu, então, a sua obra Viagem a Serra Nevada de Santa Marta. Neste livro revela a sua condição de observador, escritor e sociólogo, detectando na jovem república os conflitos sociais que, logo, emergiriam. Em 1857 retorna a França e sua luta e força revolucionária o conduziram a ser redator de várias revistas.

A grande quantidade de artigos publicados o levou a ter prestígio entre os homens ilustres de sua época. Desde suas primeiras viagens começou a publicar estudos geográficos, relevantes por sua exatidão nos dados e informações, o que firmou sua reputação internacional, como divulgador da ciência sem demasiados tecnicismos. Foi admitido na Sociedade Geográfica de Paris e na de Londres, nomeado membro da Comissão Central e recebeu a medalha de ouro de ambas Sociedades.

Em 1869 se filia na internacional socialista e luta junto a Bakunin na causa pela liberação do proletariado oprimido. Manteve uma frutífera amizade com o geógrafo anarquista Pedro Kropotkin que colaborou na redação de uma parte do projeto da Geografia Universal. Segundo Olga Peluchi, Reclus foi reconhecido pelos seus biógrafos como um homem bom, de corpo e mente sã, de notória inteligência que expressou seu amor pela humanidade e seus semelhantes sem ter distinção de raça, credos, condições sociais ou classes. Suas virtudes o fizeram colher amigos e companheiros em todos os lugares que visitava.

3 comentários:

ρoësis disse...

Sempre muito bom esse blog, mostrando para nós aquilo que muitas vezes não enxergamos por nós mesmos. Vlw por trazer esses textos falando sobre o anarquismo.

=]

Anônimo disse...

Na Grecia morreu a pouco um anarquista de 16 anos resistindo contra a opressão e exploração capitalista nesse país. O Mídia Rebelde divulga o pensamento anarquista que significa uma outra forma de pensar e viver em sociedade. Somos contra todos os poderes e contra todo autoritarismo. O princpal é lutar pela liberdade e igualdade social

João disse...

Solitariamente a partir do mundo dos bytes envio congrarulações a todos os que se rebelam nas diversas formas. Fico contente e fortalecido de haver gente digna e insubimissa. Companheiros meus.

Loading...