sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O que fazer ?

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Perdida a inocência e o otimismo do século XIX, quando os movimentos sociais e os anarquistas, em particular, esperavam o amanhã radioso, sabemos hoje que o futuro está em aberto, nenhum movimento irresistível da história será capaz de nos preparar algo melhor daquilo que nós mesmos sejamos capazes de construir a partir de hoje. 

Se os anarquistas forem capazes de passarem o testemunho da sua história, afirmarem na prática social seus valores e contribuírem para recriar uma contracultura libertária, talvez os movimentos sociais possam reencontrar, nessa radicalidade libertária, um dos referenciais que procuram de forma desnorteada. A imprevisibilidade histórica ou o ceticismo não são obstáculos definitivos ao voluntarismo anarquista. 

Quando Fanelli, o libertário italiano companheiro de Bakunin chegou à Espanha, em 1868, sem sequer falar o espanhol, acaso poderia prever que estava contribuindo para a criação da mais importante base do movimento anarquista: o movimento libertário da Península Ibérica ? 

Não existe um que fazer para os anarquistas. Existem muitas possibilidades de fazer, traduzindo as diferentes situações e perspectivas em que cada grupo ou indivíduo libertário se encontram, mas que passa antes de tudo por preservar a lucidez crítica, pensar permanentemente a realidade, agir sobre essa mesma realidade, assumir a solidão da resistência em tempos difíceis lutando para criar os laços do espaço comunitário alternativo. 

A práxis libertária contemporânea deverá se traduzir cada vez mais na crítica do Poder, da Política, do Estado e do Capital. Mas também na intervenção construtiva a partir da realidade local, na defesa da auto-organização e da democracia direta que sustentem um amplo federalismo regional e internacional dos povos. E, na criação de comunidades, cooperativas e outras formas autogestionários de vida, produção e consumo. Contribuindo assim para uma cultura libertária que abra, desde já, novos espaços de liberdade, de autonomia e criatividade para os que recusam o sistema dominante. 

Esses são alguns dos caminhos para quebrar a quietude que a sociedade do espetáculo nos impõe. Podemos recusar a condição de espectador impotente e agir, de forma silenciosa, através da desobediência civil, através do discurso, do fanzine, da sabotagem anônima, da revista, do livro, da ação radical do sindicalista libertário, das cooperativas autogestionárias, da manifestação antimilitarista, das experiências educacionais ou das listas de discussão libertárias dentro das redes de computadores. Tudo ainda pode ser feito. 

Temos razão para crer que os nossos valores: cooperação, apoio mútuo, solidariedade, liberdade e igualdade correspondem à possibilidade de humanização da história das sociedades. 

Por essa razão o anarquismo mantém toda a sua atualidade, acima de modas e conjunturas, até porque a ética e a rebeldia libertária possuem a dimensão eterna de Prometeu e está umbicalmente ligado com o desejo de realização integral de nossa humanidade. Embora sua concretização subversiva só possa ocorrer dentro do contexto real da história e das sociedades. 

Esse é o maior desafio que se coloca ao projeto social libertário dos anarquistas.

Texto sem autoria encontrado nos 
becos da Internet

6 comentários:

Diogo disse...

Adorei o blog

Mto filosófico, precisamos disso

já linkei no meu

estadoparaquem.blogspot.com

Anônimo disse...

os dados estão lançados...

Anônimo disse...

Emma Goldman disse que "se não posso dançar, não é a minha revolução", portanto não esqueçamos a alegria, a festa na hora das escolhas por um mundo solidário, igualitário e libertário...

Karina Meireles disse...

Um texto muito bom..

Acredito que a informação como também a educação pode sim ajudar a construir uma sociedade com tais principios, tendo em vista a responsabilidade de reconhecer a realidade vivida, para assim podermos concientemente mudar esta realidade percebida.

Vinícius disse...

Meu primeiro contacto com o anarquismo foi pela rede. Pela net tenh conversado com anarquistas de todo o Brasil (até de fora daqui). Parti pro estudo (um processo de auto-construção eterno) e incontinênti a revolução individual e a mudança da práxis nos locais hodiernos (locais de trabalho, estudos, nas ruas, etc.). Tô nessa aí de "mexer a bunda" e fazer algo. Atuei dois anos no voluntariado, em educação popular. Tô junto num grupo de estudos libertários que pode engendrar, no devenir, um centro de cultura social. Tentarei me integrar nos movimentos sociais ( aprender, aprender e aprender), tentando zelar pela horizontalidade, pois andam muito aparelhados. E daí por diante...

Vinícius (o mesmo de cima) disse...

A teoria-prática da ação direta, auto-gestão e cooperativismo - Leitura e Ação. Ocupar espaços, fazer viger nossos valores. Ocupar espaços e esvaziá-los de poder. Nessa lógica é essencial um trabalho de base nos sindicatos e movimentos sociais para fazê-los incidir como grupo de pressão. Tentar integrar grupos de estudo e instituições que perpassem esses nossos valores. Porque as pessoas do quotidianos devem ser "educadas" para a subversão, para o anarquismo e para uma possível revolução social doravante. Abraços fraternos! ;)

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